Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que 45,8% dos tribunais e conselhos brasileiros já afirmam utilizar tecnologias de inteligência artificial em suas operações — um salto expressivo em relação a poucos anos atrás, quando a IA no Judiciário era, na prática, restrita a projetos-piloto isolados.
Onde a IA já é usada, na prática
De acordo com o levantamento, o uso da inteligência artificial está concentrado em tarefas repetitivas e de alto volume: triagem de processos, auxílio na pesquisa de jurisprudência e elaboração de minutas. Algumas sentenças, embora ainda em menor quantidade, já são proferidas com apoio de IA — especialmente para efeito de triagem, classificação e propostas de decisão que o magistrado revisa antes de assinar.
Otimizar, não substituir
Especialistas e entidades de fiscalização do Judiciário, como a Atricon, reforçam um ponto comum: a tecnologia não substitui o juiz humano. O que a automação faz é liberar magistrados e servidores das tarefas repetitivas e de expediente, para que possam se dedicar à essência da atividade judicante — a análise aprofundada dos casos e a construção do livre convencimento motivado.
O que isso significa para quem acompanha um processo
Na prática, para advogados, peritos e partes, essa adoção crescente tende a se traduzir em dois efeitos concretos: atos de mero expediente (como as intimações tratadas no primeiro artigo desta série) processados mais rápido, e um volume maior de processos que os servidores e magistrados conseguem efetivamente analisar com atenção, já que menos tempo é gasto em tarefas puramente administrativas.
O próprio CNJ mantém, através da plataforma Sinapses, um projeto de mapeamento contínuo de quais sistemas de IA estão em uso em cada tribunal — parte do esforço de tornar essa adoção mais transparente e auditável à medida que cresce.
Fontes
- Inteligência artificial já faz parte da rotina de tribunais brasileiros
- Inteligência Artificial e Judiciário: tecnologia não substitui o juiz humano — Atricon
- Projeto mapeia sistemas de IA utilizados no Judiciário brasileiro — FGV
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