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Cálculos Judiciais · 11 set 2026

Como testar a consistência de um cálculo em MAJS: quitação antecipada e saldo intermediário

Um cálculo em MAJS que só apresenta a tabela de prestações finais, sem testes de consistência, é vulnerável a impugnação. Como vimos no artigo sobre a origem do método, séries a juros simples não têm cindibilidade de prazo — por isso, testar o cálculo em pontos intermediários é o que separa um laudo defensável de um laudo que só resiste enquanto ninguém o questiona.

Teste 1 — Saldo devedor em qualquer momento

No MAJS, como a amortização é constante, o saldo principal remanescente após a prestação k é simplesmente:

Saldo(k) = C − k x A

No exemplo já usado nos artigos anteriores (C = R$ 12.000,00, A = R$ 1.000,00), o saldo após a 6ª prestação é 12.000 − 6x1.000 = R$ 6.000,00. Esse número deve ser conferível de forma independente, sem depender da tabela completa — é o primeiro teste de sanidade de qualquer planilha de cálculo.

Teste 2 — Quitação antecipada

Aqui está uma das características práticas mais importantes do MAJS: como os juros de cada prestação são calculados apenas quando ela vence (Jk = A x i x k), não existem juros futuros já "programados" para as prestações ainda não vencidas. Isso significa que, para quitar o contrato antecipadamente logo após a prestação k, o valor devido é, em princípio, o próprio saldo principal remanescente — Saldo(k) — sem necessidade de trazer a valor presente uma série de pagamentos futuros, como seria necessário no sistema Price.

No exemplo, quitar o contrato imediatamente após a 6ª prestação custaria R$ 6.000,00 — não mais que isso, porque os R$ 10,00 mensais crescentes de juros das prestações 7 a 12 simplesmente não chegaram a ser calculados. Essa é uma diferença prática relevante para o mutuário, e um ponto que precisa estar explícito no laudo: qual critério de quitação antecipada foi adotado, e por quê.

Teste 3 — Reconciliação final

Todo cálculo em MAJS deve fechar na seguinte equação, prestação a prestação e no total:

Capital financiado + Juros totais − Total pago = 0

No nosso exemplo: 12.000 + 780 − 12.780 = 0. Se essa conta não fechar exatamente em zero — nem que seja por um centavo, decorrente de arredondamento — há um erro em algum ponto da planilha que precisa ser localizado antes de qualquer entrega.

Teste 4 — A data focal precisa estar declarada

Por fim, como qualquer variante de juro simples pode gerar saldos diferentes dependendo de o cálculo ser feito de forma retrospectiva (do início para o fim) ou prospectiva (do fim para o início), o laudo precisa declarar expressamente qual data focal e qual critério de equivalência foram usados. Sem essa declaração explícita, dois peritos podem aplicar exatamente a mesma fórmula MAJS e chegar a números diferentes — não por erro de cálculo, mas por premissa não declarada.

Roteiro resumido

  • Confira o saldo devedor em pelo menos dois ou três pontos intermediários do contrato, não só no início e no fim.
  • Calcule o valor de quitação antecipada em um ponto do meio do contrato e confirme que corresponde ao saldo principal remanescente.
  • Feche a equação capital + juros − total pago = 0 para o contrato inteiro.
  • Declare por escrito, no laudo, a data focal e o critério de equivalência adotados — nunca deixe isso implícito.

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